quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Dia 27

Há homens piores do que eu; mais patéticos? Não.

Sei que há aqueles que são mesquinhos ou malvados

como eu dificilmente serei.

Há homens covardes e estúpidos

que me superam também na irresponsabilidade

e na frouxidão.

Mas duvido que dentre todos eles

haja um, tão somente um,

vergonhosamente patético como eu.


***minha paupérrima, mas honestíssima versão do magistral Poema em Linha Reta, de Fernando Pessoa.

Há um mar em mim


Há um mar aqui, há um mar em mim.

O espaço parece pequeno, mas é como naquelas histórias de magia

Uma vez dentro, o horizonte se estende a perder de vista.


Há um mar em mim, nunca tranquilo, nunca faz-se mar calmo.

No seu profundo habitam criaturas medievais

que não estranham os barcos futuristas riscando a superfície.


Há um mar aqui com águas infestadas de pensamentos aleatórios

desejos canibais seduzem ideias que se movem velozmente.

Planos acéfalos e amores tóxicos são cardumes nessas águas.


Há um mar em mim e sempre a transbordar

avançando e recuando como quem dança arrebentando sobre as pedras.

Em você também, se amar, haverá um mar.

Dia 27

Há homens piores do que eu; mais patéticos? Não. Sei que há aqueles que são mesquinhos ou malvados como eu dificilmente serei. Há homens cov...